A Maura por ela mesma
Por Maura Xerfan
17/01/2008

Debruço-me na vida sobre a máxima de que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é... Assim, eu sou o que sou e o que sou não precisa de desculpas, como diz a música celebrizada por Gloria Gaynor e que tanto marcou a minha geração Coca-Cola - Light.
Com certeza, a versatilidade e a intensidade de vida são meus traços mais marcantes, quase sempre estampados em um sorriso e um olhar expressivo. Sou uma pessoa feliz, uma filha de Deus, que como muitos, também rema contra maré, mas não duvida da fé!
Paraense, com uma versão carioca aflorada e uma latinidade estampada em abraços, gestos, olhares, sorrisos, lágrimas e palavras. Minha família é pequena, não fabrica açúcar, mas conhece a marca da União como poucas. Tenho muitos conhecidos e entre eles fiz muitos e bons amigos. Eu continuo chamando de amigos,o mercado os batiza de network.
Minha vida é uma antes e depois da maternidade, a descoberta do amor incondicional, a vivência prática de cada sentimento aflorado e a sonoridade musical das gargalhadas. Tenho senso de humor e dores de cabeça como a maioria dos brasileiros. Espaçosa e barulhenta gosto de encher de vida os lugares onde passo. Meu tamanho é G, meu tom de voz é alto, meu sorriso é escancarado, te abraço em público, declaro amor e, se inevitável, faço guerra pelos que amo, aperto sua mão de verdade, não me escondo de ninguém.
Atrevida para quem não cresceu muito, sou tímida para quem já enfrentou o bastante para riscar a palavra “medo” do dicionário. Jamais riscarei Amor, Esperança, Fé, Ética, entre tantas outras, que aprendi com meus pais e quero todos os dias ensinar a minha filha, muito mais que o bê-á-bá.
Já desejei ser veterinária. Dessa época trago muitas lembranças do Marajó, onde aprendi a ter um enorme amor e respeito pela natureza, uma saudável convivência com meio- ambiente. Tenho uma paixão por cavalos e dois pequenos cães de companhia que temos em casa. O Cão “bravo”, responsável pela ronda, sou eu mesma. Faço questão de ser a “gate keeper”, ser quem toma conta, quem guarda tudo aquilo em que acredito e aposto!
Não sou das pessoas mais organizadas que você irá conhecer, mas saiba que na minha agenda jamais lhe faltará tempo. Odeio o tépido, o morno e o aparente, sou intensa, mas acredito no equilíbrio e na serenidade, desde que não sejam sinônimos de apatia.
Preocupo-me muito com tudo e com todos e a chegada da maturidade está me ajudando a me preocupar um pouco mais comigo; até pouco tempo eu não tinha regularidade suficiente para descrever meu café da manhã. Hoje aprecio com mais prazer um bom vinho, uma boa comida e diferencio e reverencio as boas companhias. Minha arte culinária é gastronomia afetiva.
Tenho senso de justiça e autocrítica aguçados. Porém não tenho nem sequer a pretensão dos perfeccionistas. Erro, como quem sabe que o erro é uma lição mais rica do que não agir. Acredito na vida e no indivíduo, muito embora o segundo às vezes nos dê motivos para não crer. Prefiro sempre a rota de que é passível de minha confiança até que me prove o contrário. Depois que prova, meu desafio se chama perdão.
Acredito em Deus e pratico minha religião com fé, mas por não ser perfeita ou santa cometo quase todos os pecados capitais, com menos freqüência recaio sobre a avareza ou a inveja, mas confesso que como boa insone, adoraria deitar e dormir sem o cérebro em constante atividade. Não acredito em um Deus que não goste de música ou literatura.
A espiritualidade está tão presente em mim quanto a energia que as pessoas emanam de seus corpos e palavras. Tenho um sexto sentido forte, não duvido disso e escuto a minha intuição e a um anjo da guarda com adicional de insalubridade - e, graças a Deus, tão insone quanto eu.
Como professora aprendi muitas vezes a escalonar a vida entre 0 e 10. Nota 0 para a injustiça, egoísmo e para mentira. Aliás, aconselho a não mentir para mim, porque eu descubro em suas próprias falsetas e garanto que confiar em você será uma daquelas metas desafios que ninguém consegue alcançar. Nota 10 não para quem não errou um dia, mas para quem já soube reconhecer um dia estar errado.
Em uma síntese de valores: sou honesta, fiel e transparente em tudo que faço e penso. Não creio que estes termos possam ser usados um pelo outro, pois dou a cada um deles, separadamente, valor inestimável.
O Amor é atemporal e não tem limites. A felicidade é um estado de espírito e - sim -,existe. A esperança deve ser eterna e residir dentro de nós. A liberdade é abstrata, espiritual e não física tal qual essencial. Como Raulzito, também, prefiro ser uma metamorfose ambulante. A rigidez de pensamentos, conceitos e padrões engessa a vida. No mais, não quero luxo, nem lixo...


